domingo, 23 de outubro de 2016

Sem sentido



Ih, bateu saudade!
mas isso não faz sentido
pois eu já tinha te esquecido,
te tirado da mente,
da minha vida, do meu coração.
Não sei o que houve agora…
Talvez a falta de sono,
o abandono,
minhas feridas, a solidão…
Quem sabe, a chuva lá fora.

Na realidade,
penso em te encontrar jamais
pois quem conheci não existe mais.
E, infelizmente,
voltar assim no tempo,
sonhar acordado,
só me faz infeliz…
A mim que sempre quis
esquecer tais momentos
e fugir do passado.

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

Afronta



Te carreguei no colo
quando não querias caminhar;
Te puxei do fundo
quando não conseguias respirar;
Te falei de opções
quando não querias procurar;
Te dei meu mundo
pra você aproveitar;
Te contei segredos
que não gosto de falar;
Mostrei tua força
quando não querias mais lutar;
Comemorei tua vitória
quando começastes a sarar;
Te disse bonita
quando não querias acreditar;
Enfim, te retornei à vida
como não podias esperar…

E é essa afronta
que não consigo suportar:
Te deixei pronta
para outro aproveitar.

Herói?!



Se, para meus filhos,
fui herói um dia,
o tempo acabou com a fantasia.
Com um presente sem brilho
restou o dilema
entre a arrogância da juventude
e, da velhice, a decrepitude -
exemplos a não serem seguidos.

Hoje?
Sou só um problema…

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Para Carla

O poema a seguir me foi encaminhado pelo Martius Mesquita. É uma homenagem à Carla, companheira de longa data, que resolveu nos deixar sem dizer adeus, escondendo de todos a terrível doença que lhe acometia.


Conhecer
Se encantar
Conviver
E ver partir
Mais um ponto
Um centímetro a  mais
Na mesma dolorida ferida
Que nunca cicatriza
Apenas adormece
Até que sejamos
Nós mesmos
Parte dela

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Patético

A gente não escolhe o que sente.
A gente, simplesmente, sente!
E, se algo dá errado,
quem é o culpado?

Não há culpa alguma 
nem coisa nenhuma
que explique o sentir.

E, dentro deste conceito,
de que me adianta ir
se vou em vão?
Se troco o não pelo sim
e o sim pelo não?
Se, quando abro o peito,
entrego tudo de mim
e só consigo me ferir?

Já acreditei em pessoas,
já acreditei em caminhos,
já acreditei, até, em santos.
Mas os erros foram tantos,
já andei tanto sozinho;
tantas esperanças à toa...

Que talvez hoje esteja mais cético, 
menos confiante:
a idade chegou!
Mas ainda sonhador.
E quando chega o amor
me entrego, como fazia antes...

Ou seja, depois de tanta caminhada
não aprendi nada.

Patético!!!

domingo, 27 de setembro de 2015

Super-homem


Esta é uma versão para a música "Super-homem" do Gilberto Gil. A letra original deve ser substituída por essa. Se você não conhece a música, dá uma olhada no link acima.


Por uns dias,
vivi a ilusão de que você retornaria
e que o meu mundo todo se coloriria
como costumava ser...

Que nada,
essa ilusão tão tola logo, logo acabaria
você foi clara e disse noutro dia
que não me quer mais ter...

Quem dera,
você pudesse compreender, ó mãe, quem dera
como é difícil essa minha espera (e)
como me faz sofrer...

Quem sabe,
talvez eu deva realmente me afastar
ficar bem longe de você e procurar
te esquecer...

......................................................

Quem sabe,
talvez eu deva realmente me afastar
ficar bem longe de você e então tentar
enfim te esquecer...

A pedra no caminho



Se havia uma pedra no caminho,
agora não há mais.
Meus rins funcionam direitinho
e até já sou capaz
de urinar sozinho

Sem aquela sonda, incômoda,
que tanto me afligiu
provocando dor hedionda
como quando entupiu...
Puta que o pariu!!!

A próstata, “hiperplasiada”,
aproveitando a ocasião,
foi devidamente raspada
pelo bom cirurgião
e já não incomoda nada.

Sua biópsia,
o que eu mais tenho a temer,
resultará, qualquer dia
em enorme alegria:
Não aparecerá câncer!         

Ficarei um tempo sem fazer nada
pensando no que aprendi:
a tal “ejaculação retrógrada”
que eu nem sabia existir
fantasia essa minha parada.            

Assim, embora  sem muito objetivo,
mantenho-me vivo
pro que der  e  vier.
Voltarei ao trabalho, continuando ativo
e já até penso em mulher.

Brincadeiras a parte...

Sei que causei preocupação                  
aos filhos, aos irmãos, aos amigos,               
a todos que têm carinho comigo.                 
Agradeço e peço perdão.
Não foi proposital,
não o fiz por mal,
não tive a menor intenção.                            

sexta-feira, 10 de abril de 2015

É...

Rapaz, presta atenção:
estou admirado
com tua falta de cuidado,
teu desprezo pela situação;
tua preocupação
apenas com o teu umbigo.
E eu, quem diria,
que estive ao teu lado
no certo e no errado,
não acreditaria
se não acontecesse comigo.
Dói, por não esquecer
e sentir saudade
daquela amizade
que imaginei ter,
da parceria suposta...
Mas o que fazer
se a reciprocidade
não é tão verdade
como pensei ser?
Será que, por motivo algum,
és apenas mais um
que me deu as costas?

domingo, 5 de abril de 2015

Sonet d'Arvers (Felix Arvers)

Aprendi este soneto nas aulas de francês do ginásio. Tínhamos que decorá-lo para recitar perante a turma. Nunca o esqueci.


Mon âme a son secret, ma vie a son mystère,
Un amour eternel en un moment conçu
Le mal est sans espoir, aussi j'ai dû le taire
Et celle qui la fait n'en a jamais rien su.

Hélas! J'aurai passé près d'elle inaperçu
Toujours à ses côtés et pourtant solitaire
Et j'aurai jusqu'au bout fait mon temps sur la terre
N'osant rien demander et n'ayant rien reçu.

Pour elle, quoique Dieu l'ait faite douce e tendre
Elle suit son chemin, distraite e sens entendre
Ce murmure d'amour élevé sur ses pas.

À l'austère devoir, pieusement fidèle
Elle dira, lisant ces vers tout remplis d'elle
"Quelle est donc cette femme?" - et ne comprendra pas.


Uma tosca tradução:

Minha alma tem seu segredo, minha vida o seu mistério
Um amor eterno num momento concebido.
O mal é sem esperança e então eu me calei
e ela que o fez nunca soube nada

Ai de mim! Terei passado perto dela desapercebido
sempre ao seu lado e, no entanto, solitário
e terei cumprido meu tempo sobre a terra
não ousando nada pedir e não tendo nada recebido.

Ela, a quem Deus fez doce e terna
seguirá seu caminho distraída e sem entender
este murmúrio de amor enlevado em seus passos.

E, mais tarde, piedosamente
ela dirá lendo estes versos repletos dela:
"Quem será esta mulher?" - e não compreenderá.

(Lindo, né???)

Cuidado com seus pedidos

Pedi tanto ao Universo
que me movimentasse o coração
e, como tudo que peço,
ele, enfim, me atendeu.
Mas não da forma pretendida
porque, queria eu,
uma nova paixão bem sucedida
e não o insucesso da velha paixão.

Resignação

Talvez, agora, eu possa entender
que nada se perdeu.
Não há derrotados,
ninguém venceu.
E se não foi como esperado
é porque não era mesmo para ser.

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Ei, John

(John Lennon foi assassinado no dia 08/12/1981 em frente ao prédio em que morava 
 em Nova York. O assassino dizia-se seu fã)


O que fizeram contigo,
meu amigo?

Ouvi tuas canções,
li teus poemas,
forjei minhas opções
a partir dos teus temas...

Usei cabelos compridos,
óculos com lentes redondas.
Cantei  tuas baladas,
com o meu “inglês de ouvido”...
E agora, me responda,
porque não entendi nada:

o que fizeram contigo,
meu amigo?

Eras prepotente,
te comparastes a Jesus.
Mas, tal e qual,
pensavas além do teu tempo.
E então, um sujeito demente,
assumindo o papel da cruz
e não podendo te ser igual,
tirou-te a centelha, em breve momento.

Ele que se dizia seu fã,
como Pilatos ao Cristo.

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Alguns conselhos




Brindemos à saúde
porque sem ela
a vida, que é bela,
se torna um penar;

Festejemos a amizade
pois que amigos,
muito mais que inimigos,
são difíceis de achar;

Ganhemos muita grana,
pode ser de bom tom,
porque tudo que é bom
é preciso pagar;

Curtamos a paz
tão necessária
nessa terra ordinária
de maldade exemplar.

Vivamos o amor
enquanto ele existir
pois não adianta insistir
quando ele acabar.

Gozemos o sexo
com paixão e ardor
sem limites ou pudor,
até o vigor expirar.

Bebamos cerveja (ou vinho, ou whisky, ou cachaça)
mas só por prazer,
sem vício ou dever.
Apenas por gostar.

Enfim,
Celebremos a vida
esperando que a morte,
com um pouco de sorte,
demore a chegar;

terça-feira, 29 de outubro de 2013

Teatro da vida (ou Momentos de insônia)

No fim do dia,
quando a noite chega
e a mente esvazia
da  diária refrega
vem  a melancolia
a quem o coração se entrega.

Se a cabeça descansa
junto ao travesseiro
o pensamento se lança
- este frágil guerreiro –
em cada nuança
do teu dia inteiro:

A oportunidade perdida,
o erro cometido,
a mágoa sentida,
o que não fez sentido,
o sentido da vida,
o coração ferido...


Enquanto a mente devaneia
uma pergunta permeia
e não quer se calar:
o que me resta conquistar,
aonde tenho pra ir,
o que me falta fazer,
o que ainda tenho que ser?
E se a resposta demora
é porque tá na hora
de fechar o pano e partir...

terça-feira, 16 de julho de 2013

O travesseiro

Ah, o travesseiro,
velho companheiro
de tantas divagações:
Soluções úteis,
devaneios ousados,
pensamentos fúteis,
sonhos frustrados.

Ah, o travesseiro,
antigo parceiro
de inúmeras libações.
Mudo confidente
que ouve calado
e se queda silente
enquanto sonho acordado.